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Desde que as medidas de combate à pandemia do novo coronavírus foram adotadas no Brasil, diversos setores precisaram se adaptar para continuar funcionando sem colocar em risco a saúde dos seus funcionários e manter suas produções. Muitos deles são responsáveis, inclusive, pela produção de suprimentos que fazem com que áreas essenciais como saúde, segurança e cadeias de suprimentos (supermercados, combustíveis, medicamentos, equipamentos) continuem em atividade.

Foi o caso das unidades de produção, como a agropecuária, a indústria e a mineração. Diante dos desafios trazidos com a covid-19, estes setores precisaram reduzir suas tarefas ao essencial, diminuindo suas equipes nas unidades produtivas, estabelecendo práticas seguras para os seus funcionários, inclusive nos momentos de maior risco de contágio, como no transporte e refeitório.

Reuniões feitas em área externa com distanciamento entre os colaboradores da Mineração Caraíba
“Às vezes, as pessoas não percebem como a mineração participa na vida delas. Para produção de alimentos, por exemplo, fornecemos fertilizantes, ferramentas, tratores, etc. e isso não pode parar. Nos equipamentos médicos, respiradores por exemplo, temos o talco que participa da fabricação do plástico. Em equipamentos computadorizados e instrumentos médicos temos vários metais e produtos da mineração como o ferro, níquel, cromo, vanádio, ouro, cobre e até o diamante estão presentes. E para produzir estes metais, é necessário magnesita, que também é um produto mineral da Bahia”, explica Paulo Misk, CEO da Largo Resources e Presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minerais Metálicos, Metais Nobres e Preciosos, Pedras Preciosas e Semipreciosas e Magnesita no Estado da Bahia (SINDIMIBA).

“Outra grande contribuição da mineração é com a tecnologia e inovação. Fornecemos os materiais para geração de energia limpa (painéis solares, geradores eólicos), para carros elétricos e aviões, para computadores e celulares; sempre contribuindo para o mundo ser mais sustentável”, completa.

“Além disso, a mineração exerce um papel de estimular a economia, mantendo milhares de empregos diretos e indiretos, em pequenas, médias e grandes empresas, no geral, em regiões carentes do interior do estado”, acrescenta Carlos Henrique Temporal, Relações Institucionais da Ferbasa e vice-presidente do sindicato.

O setor, que já atuava com protocolos de segurança e higiene, adotou medidas mais rigorosas por conta da pandemia, com mudanças severas nas rotinas das unidades de produção, como a liberação para ficar em casa de pessoas acima de 60 anos e com histórico de doença, redução do efetivo, incluindo setores administrativos, adotando o home office – algumas mineradoras reduziram até 56% do seu efetivo no local de trabalho – , comunicação com colaboradores, terceiros e comunidades sobre as medidas adotadas dentro das empresas, com informações sobre prevenção e tratativas, distribuição de kits de prevenção, reorganização dos refeitórios com afastamento de mesas e cadeiras às distâncias de segurança, aumento na oferta de álcool em gel nas instalações das empresas, inclusive nas portarias dos sites, restaurantes, e aumento na quantidade de saboneteiras para lavagem das mãos, higienização com maior frequência nas áreas de uso comum e meios de transporte, entre outros.

A disseminação destes protocolos e de outras iniciativas positivas foi realizada pelo SINDIMIBA, que vem usando diversas formas de divulgação, entre elas postagens no site www.mineracaonabahia.com.br e no perfil no Instagram @mineracaonabahia, alimentado diariamente com textos informativos, cards e vídeos de especialistas com dicas úteis.

“A União faz a força. A organização do setor é parte essencial para o seu progresso, troca de experiências e contribuição de geração de políticas que consolidem e tragam desenvolvimento para o setor. Temos hoje o SINDIMIBA, criado recentemente, que muito vai ajudar no seu fortalecimento. O grande desafio que temos é a aproximação com a sociedade (autoridades políticas, lideranças institucionais, comunidades, etc.) para um melhor e mais completo entendimento sobre o que representa a mineração nas nossas vidas e na riqueza do país”, avalia Manoel Valério de Brito, diretor da Mineração Caraíba e diretor Administrativo do SINDIMIBA.

CUIDADO COM AS PESSOAS E COMUNIDADES
Além de adaptarem suas produções, este compromisso com as comunidades onde atuam fez com que as empresas de mineração assumissem um papel extremamente relevante no apoio aos municípios em que estão. “Nesse momento tão desafiador temos buscado, com segurança e através de um amplo plano de prevenção e saúde, manter nossas atividades, protegendo nossos funcionários, movimentando a economia e levando apoio emergencial às comunidades onde atuamos na Bahia, através de doações e criação de oportunidades para geração de renda neste momento de pandemia”, afirma Pedro Leite, diretor de Mineração da RHI Magnesita e diretor financeiro do SINDIMIBA.

E não são poucas as iniciativas: “Campanhas educativas, apoio financeiro e de pessoal, equipamento de proteção individual para as equipes do setor de saúde, respiradores, kit de testes para covid-19, termômetros e cestas básicas para as famílias que perderam sua renda”, lista Paulo Misk.

Costureiras da comunidade contratadas para produzir máscaras de tecido para serem doadas em ação promovida pela RHI Magnesita

“Além disso, quase todas empresas desenvolveram programas de produção de máscaras através das costureiras locais, que tem um efeito extremamente positivo, pois geram renda para elas e máscaras gratuitas para a população. O programa da Vanádio de Maracás, por exemplo, já produziu mais de 50 mil máscaras. São 2 mil por dia! Na verdade, o mérito é das costureiras, que abraçaram esta causa com garra e coração. A mineradora apenas ajudou elas neste desafio. Acredito que unidos venceremos este vírus. Ficando em casa quem pode e cada um fazendo a sua parte”, acrescenta o empresário.

Cestas básicas reunidas no auditório da FERBASA antes de serem doadas
Atualmente, todas as empresas associadas ao SINDIMIBA têm atuado em suas regiões/comunidades de acordo com a necessidade local. Em âmbito estadual, a entidade contribuiu com a campanha da FIEB de doação de mais de 100 respiradores, auxiliando assim no tratamento dos pacientes acometidos pela covid-19.

Além disso, as empresas associadas ao SINDIMIBA e o próprio sindicato doaram mais de R$ 3 milhões em dinheiro, cerca de 12 mil EPIs, 315 mil luvas descartáveis, 115.460 máscaras, 21 termômetros infravermelhos, 290 termômetros digitais, mais de 12 mil cestas básicas e 8.500 testes de covid-19 até agora. Este número e é crescente, haja vista as mineradoras têm desenvolvido outras ações solidárias.

Doação de cestas básicas promovida pela Yamana Gold
“Lançamos também, esta semana, uma campanha informativa junto aos veículos de comunicação da região de Brumado com teor educativo, alertando sobre o uso de máscaras, álcool em gel, entre outras mensagens de cuidado e prevenção. A pandemia colocou em evidência a atuação das empresas nas comunidades e a capacidade destas empresas e o poder público somarem esforços em torno de um objetivo comum”, revela Pedro Leite.

“Não existe solução simplista para problemas de complexidade alta e, diante desta visão, o setor mineral baiano tem se destacado, pois através de seus comitês e seus rígidos protocolos de gestão de crises, soube identificar as necessidades e prestar apoio os municípios e estado, seguindo as melhores práticas de controle de saúde para proteção dos seus colaboradores e executando na prática importantes apoios às comunidades”, avalia Sandro Magalhães.

ECONOMIA
A mineração na Bahia gera mais de 14.800 empregos diretos e indiretos (IBGE, 2017), ocupando o posto de segundo maior empregador no setor mineral do país. Somente no início deste ano, uma única mineradora presente no Estado abriu cerca de novos 900 postos de trabalho. O estado é o quarto em produção mineral no Brasil (ANM, 2018), com 535 produtoras, situadas em 221 diferentes municípios, gerando mais de 2 milhões de toneladas de 52 diferentes minérios, em média, por ano. Somente em 2018, mais de R$ 3,2 bilhões foram comercializados e mais de US$ 939 milhões movimentados em exportações.

Para além dos números robustos, essa importante presença do setor mineral contribui para levar o desenvolvimento econômico e social para o interior do estado. “Conseguimos criar empregos, contratar serviços, estimular a produção de matérias primas, pagar impostos e gerar riqueza em regiões muito carentes. Somos como uma locomotiva para a economia regional nestes locais. E o efeito nas pessoas vai muito além dos empregos gerados nas empresas de mineração, pois são criados, em média, outros 11 empregos nas atividades indiretas”, destaca Paulo Misk.

Sandro Magalhães, vice-presidente de Operações Brasil e Argentina da Yamana Gold e diretor do SINDIMIBA, destaca ainda os vários projetos sócio-ambientais implementados pelo setor e uma contribuição considerada pelo executivo uma das mais importantes: o desenvolvimento humano. “Temos muitos exemplos de profissionais que entraram nas nossas empresas como auxiliares e através dos programas de incentivos educacionais hoje são engenheiros, administradores, contadores, etc”.

“Nós não podemos parar. Nosso trabalho fornece materiais imprescindíveis para diversos segmentos da sociedade, mesmo neste momento de quarentena. Se pararmos, podemos ‘desengrenar’ o desenvolvimento do país, já tão comprometido por conta da pandemia”, ressalta Carlos Temporal.

O QUE MUDA PARA A MINERAÇÃO APÓS A PANDEMIA?
E como ficará o setor da indústria após a pandemia? De acordo como os executivos entrevistados serão amplas as mudanças, passando por questões operacionais, do dia a dia, até algo mais amplo, como as relações das empresas com as comunidades onde estão inseridas, uma atuação mais sustentável e uma troca ainda maior dentro do segmento. “Aumenta nossa responsabilidade. Segundo Fernando Henrique Cardoso em artigo recente, a mineração e o agro são os setores que poderão ajudar o Brasil a superar a crise econômica após a covid-19. É fundamental que as pessoas voltem a ter emprego, possam criar suas famílias e ter uma vida digna”, afirma Paulo Misk.

Este olhar para o entorno e o compromisso com o coletivo também foi destacado por Sandro Magalhães. “O setor se mostrou de forma preparada e ágil nas ações necessárias ao combate à pandemia, trabalhando de forma unida, ética, transparente e sobretudo, humana. Na minha visão, a mudança no setor após esta pandemia está ligada a consolidação da união entre as empresas e da solidariedade como principal ferramenta no enfrentamento de qualquer crise. Neste ambiente, não existe o ‘Eu’, apenas existe o ‘Nós’. Juntos seremos sempre mais fortes”.

Para Pedro Leite, as práticas de higienização, controles de acesso e distanciamento entre os funcionários deverão ser incorporadas como ações preventivas por um longo período ou até mesmo sejam incorporadas em definitivo na pauta de segurança das empresas. “Afora essas questões mais práticas, vejo como um ganho para o setor a ampliação dos fóruns de discussão integrados entre os ‘concorrentes’. Acredito que é uma iniciativa positiva para essas trocas de experiências e que deverá se manter após o período da pandemia”.

Carlos Henrique Temporal acredita que haverá uma maior troca das mineradoras com a sociedade. “No Brasil, já existia uma preocupação quanto à necessidade de melhorar a imagem do setor, que vem desgastada desde os acontecimentos em Mariana e Brumadinho. Com a pandemia, as interações com as comunidades do entorno as operações das empresas, setor público, e entidades de classe, se intensificaram, obrigando a mineração a agir, e principalmente, se comunicando melhor. Acredito que este nível de interação e preocupação é um caminho sem volta, com diálogo permanente com a sociedade e mostrando a importância do setor mineral para o desenvolvimento do país”.

“Mais do que nunca a palavra de ordem é sustentabilidade. Temos que saber lidar muito bem com o mercado. Uso mais intenso de tecnologia e sermos mais competitivos, desde a utilização de plataformas digitais até automatização de processos passando por crescente inovações, além de trabalhos em casa (home office)”, lista Manoel Valério. Para o executivo, “as lideranças precisam disseminar mais o pensamento coletivo na busca de objetivos que atendam ou estejam alinhados com os interesses envolvidos”.
fonte: mineracaonabahia.com.br

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